Mudar a vida toda por amor é um ato de fé. Acreditar que a distância não separa duas pessoas que desejam mais que tudo ficar juntas é amor. Dar passos que os outros diriam maiores que as pernas, tomar decisões que outros apelidaram de insanas, cerrar os dentes e calar, quando o que queremos é gritar, é arregaçar as mangas para lutar quando o mundo todo se põe e, bicos de pés para ficar contra, é um ato de coragem.
Um dia senti e acreditei que era este o amor pelo qual tinha esperado, e sonhado, a vida inteira. Um dia tive a certeza absoluta que era ao lado desta pessoa que eu queria estar, viver, amar e envelhecer. Um dia acreditei que juntos seriamos capazes de enfrentar ventos e marés até que a paz, a bonança, a calmaria chegasse às nossas vidas.

E esse foi o dia mais importante, e decisivo, da minha vida.

Há momentos tão bons, e que a vida nos volta a provar que valeu a pena esperar.

Eu amo estar com você, eu amo ficar com você, seu cheirinho que me faz viajar, sua voz que me faz suspirar, suas caricias que me fazem delirar, seu amor que me faz feliz, seu abraço protetor, com você eu sei me sinto forte, com você não temo a minha sorte. Estar com você, faz meu mundo parar e tudo volta a ter um sentido, seu amor me faz forte e querer continuar… Não sei o que será no futuro, mas te quero comigo sempre.



Foi nos olhando fixamente que encontramos afinidades, reciprocidade, identificação, olhos cansados de sofrer mutuamente mas dispostos a começar de novo, dispostos a viver melhor, olhos sem escrúpulos, sem limitações para buscar a felicidade.
Foi nos olhando fixamente que percebemos um ao outro no meio do planeta, que descobrimos um mundo novo de sensações, de palavras, de sentimentos, que encontramos um jardim interior em cada um.
Foi nos olhando fixamente que partimos para um novo caminho, que juntamos ideias, pensamentos, diferenças, escovas de dente.
Foi nos olhando fixamente que perdemos a respiração, os sentido e ganhamos fixação, transpiração, sorrisos. Perdemos o eixo, o rumo, o prumo, as horas.
Foi nos olhando fixamente que os pensamentos pararam, o coração bateu forte, as mãos congelaram, tremeram, pediram toque, nossas bocas pediram contato, e os corpos abraços, aproximação. E aquela  tarde qualquer mudou de cor, de som, de textura.
Foi nos olhando fixamente que entramos um na história do outro sem pedir licença, sem pestanejar, planejar, no tempo de um piscar, entramos para nunca mais voltar.
Foi nesse olhar fixo que dissemos tudo o que podíamos e o que não podíamos sem usar voz e estávamos assim um despido na frente do outro sem máscaras, sem véus, sem impedimentos. Nesse olhar fixo baixamos a guarda e nos deixamos entrar.



Saudade do que vivemos, de toda insanidade correspondida, das horas juntos, de te ouvir cantar e as vezes sem refúgio me abraçar, da cumplicidade dos dias e até das reclamações, dramas e repetições que as outras nunca saberão imitar e entender as minhas. Talvez seja isso, somos dois chatos que se identificam e se entendem.
Saudade dos fins de tarde, de presenciar a tua visão de futuro tão cheia de sonhos e planos mirabolantes, da nossa observação tão minuciosa e inconsequente do cotidiano  tão diferente do nosso. Das farras e gargalhadas que fazíamos com nossas próprias impressões de mundo. Saudade dos contextos e panos de fundo que nos cercavam motivo de tatas risadas.
Saudade sobre tudo, da nossa auto-suficiência em nos divertirmos sem precisar de muito dinheiro, palácios ou diamantes apenas de uma quantidade abundante de afeto, reciprocidade de sentimento e da amizade que juntos cultivamos e nela podíamos passar dias conversando.  “Quero me lembrar dos verões, das canções e das lições que me ensinou.”
Enfim, me sinto feliz em saber que nada disso se perdeu, em poder me refugiar em lembranças tão gostosas onde sorrimos e choramos de felicidade e a cada reencontro me certificar de que foi válido construir o que a distancia nunca pode nos roubar: essa tal cumplicidade e a vivência de anos indissolúvel.
 
 
 

Ela, uma espécie em extinção de mulher sonhadora, dócil, resistente e recalcitrante carregava em si contradições de um ser humano em formação, a inconsequência de uma adolescente e medos bobos de uma garotinha. Tinha sede em aprender e uma necessidade louca de expressar. Dançava no banal, pintava o medíocre e se alimentava do inesperado. Há tempos experimentava a solidão de ser só ela, de habitar sozinha no mundo que tecera.

Moça de olhar desesperado, sorrisos discretos e postura delicada, escondia seus sonhos coloridos numa caixa de emoções na ânsia de não perdê-los, de não ser roubada em qualquer esquina pelos piratas negros ladrões de ilusões. “Preciso me encontrar num mundo onde tudo é perdido onde conceitos e valores são distorcidos. Ser igual é o que ecoa pelos muros insanos desse circulo paradoxal. Pelo visto é melhor estar perdida e me deixar ser encontrada”, pensava ela.

Quando menos esperava alguém especial descobriu a caixa, seu mundo, mexeu em suas emoções, seu lado bobo e lhe roubou o coração, as palavras, o medo. A menina mulher mulher intensa, que reflete brilho de estrela, luz de artista, se deixou levar pelo descaminho a sua frente.

Indecente não eram seus sentimentos ou o que ele pensava a seu respeito, indecente eram as rotinas, a solidão, a falta de perspectiva.  A menina que tem mania de amar e sentir por completo mudou os móveis da sala, o gênero musical, a cor do cabelo, as conversas e parte da própria vida. Em pouco tempo não era mais só ela em seu mundo, eram duas pessoas, dois travesseiros, dois corpos, dois sorrisos, dois corações e dois meses.